não tá pronto
Na primeira segunda-feira, meu primo deixou bem claro que eu não deveria ir para escola porque eu tinha acabado de chegar do Brasil (domingo a noite, depois de 30 horas de voo e relevantes 11 horas de fuso) logo eu não conseguiria dormir e acordar no dia seguinte, por causa do "Jet-lag" (descompensação em função do fuso horário). Mas por incrível que pareça dormir bem na primeira noite e acordei feliz e disposto para pegar o primeiro dia na escola no dia seguinte! Uma coisa engraçada é que antes de eu viajar, meu irmão mais velho já tinha me falado que essa história de fuso horário não existe de fato e é coisa de "viadinho" (nas palavras dele)! Ao dormir bem e acordar disposto logo no primeiro dia, fiquei muito emocionado pensando que poderia ter provado em pessoa que essa história de fuso é besteira e que eu nem mesmo tinha sido afetado! Sim, cheguei a ser atingido sim pelo fuso (como explicarei mais para frente), só que bem menos que o normal e beeeeeeemmmm menos que a histórias que as histórias que as pessoas contam por aí (o que me faz pensar que mais da metade do o pessoal exagera por aí é só drama, algo psicológico ou mesmo "coisa de viadinho" como meu irmão me falou hahahah... visto que o fuso de onze horas é o pior possível, perdendo só para o de doze)
Meu primo me deu uma carona até as estação de trem de manhã (me emprestou 5 dólares também, porque eu só tinha nota de cem hahah) e mais uma vez não caminhei pelas ruas utilizando o inglês! Na hora de comprar o ticket do trem para ir para escola, era em uma máquina de auto-atendimento com tela de toque, de fato bem complicado! (especialmente porque aqui em Perth se paga proporcional ao trajeto, logo eu teria que entender como funcionava as zonas e saber para qual eu estava indo para comprar o meu trajeto). Vi naquela dificuldade a primeira oportunidade para usar o inglês, estava muito empolgado! Virei para trás e abordei a primeira mulher que iria comprar o ticket em seguida, expliquei que estava indo para a estação de McIver, pedir ajuda e expliquei que eu era do Brasil e era o meu primeiro dia na Austrália e blábláblá... nem sei se ela entendeu o que eu estava falando, mas quando ela ouvi "McIver" ela avançou na tela, clicou em todos os botões e me entregou o ticket sem praticamente pronunciar nenhuma palavra! (nem mesmo para me ensinar como funcionava aquele complicado sistema!) uahushaushua... Um balde de água fria! hahah... fiquei tão decepcionado que todo o meu caminho restante para escola fui também sem me comunicar com ninguém! Pelo menos na escola vão me receber bem, pensei!
Chegando na escola primeira coisa que vejo é uma placa no elevador: "New Students: dirijam-se ao terceiro andar", ok! Chegando no 3º andar, feliz igual criança quando recebe presente, pensei que no mínimo teria uma excelente recepção para o tal do "Novos Estudantes". Nada disso! Era um dia normal na escola (toda segunda-feira e não apenas aquela, chega novos estudantes na escola) e de fato nem mesmo encontrei alguém para conseguir informação! (eles não tem algo como recepcionista no terceiro andar) Balde de água fria de novo uahsuahusah... Encontrei alguém que parecia um professor para pedir informação, ele falou para eu apenas me dirigir para sala onde estava os outros novos estudantes esperando uma prova ser aplicada! (nada sem muita emoção rsrsrs)
Fiz a prova e em seguida uma entrevista bem superficial (não sei como o cara conseguiu me avaliar com poucas perguntas rsrsr), peguei o nível 3A (de uma escala que vai de 1A pro 3B), o que seria algo como "Upper-Intermediate" (intermediário avançado). Cheguei as nove da manhã na escola (hora que começa todas as aulas e que eles marcaram com os novos estudantes) e por volta das dez e meia finalmente me jogaram numa sala de aula! (é na escola é assim mesmo, eles colocam os novos estudantes do nada, no meio da aula heheheh)...
A galera estava fazendo atividade em duplas e me juntei em trio com mais duas pessoas, um cara que parecia asiático e outro que não fazia a mínima ideia de onde era. O que parecia asiático (e realmente era) se apresentou como japonês (Taka, um dos japoneses mais loucos que já conheci! Quem sabe recebo ele ano que vem na minha casa para a Copa do Mundo no Brasil!!!), logo em seguida fui me apresentar e cometi uma das maiores gafes desde que entrei na escola! Falei que era brasileiro, de uma cidade não muita conhecida (São Luís do Maranhão), mas disse que estudava e morava atualmente em São Paulo. Logo o outro cara que não tinha se apresentado (e eu não tinha idéia de onde era) me perguntou: "São Paulo, the Capital?"... poxa, fiquei encabulado! Mal começo a empolgação de falar com os colegas gringos na Austrália e a primeira coisa que recebo é uma pergunta dessa? Poxa, será que esses gringos cabeça-vazia não sabem que São Paulo não é capital do Brasil? uahsuahush... Ok, disfarcei o desapontamento e comecei a explicar calmamente que São Paulo NÃO É a capital do Brasil, que a capital é Brasília e que São Paulo é apenas a maior cidade e blábláblá! Rapaz, não é que o ilustre desconhecido não demonstrava surpresa alguma e parecia ficar cada vez mais impaciente! Até que eu sou interrompido com um "Eu sei, cara! Eu sou do Brasil também, sou de Rio Claro (cidade no Estado de São Paulo), eu estava apenas lhe perguntando se você era de São Paulo capital ou do interior?!!!" (ainda em inglês) uhaushuasahu! Depois dessa percebi que tinha acabado de cometer uma das maiores gafes possível! Explicar para um brasileiro que Brasília é a capital do Brasil! uahsuahus... não sabia mas nem onde enfiar a cabeça depois dessa!
Ok, a aula ocorreu normalmente, mas bem pior do que a gafe em si, foi perceber que eu não estava sozinho como brasileiro ali na aula! É bastante chato perceber que depois de viajar mais da metade do globo a gente larga o Brasil mas infelizmente o Brasil nunca se larga da gente! Logo depois de terminarmos aquela atividade (e eu tentar esquecer a gafe rsrsr) a professora pediu para os outros alunos se apresentarem! Que decepção! Cada vez que eu escutava um "Heloo! My name is 'x' and I'm from Brazil" era como uma facada no meu peito! Do total de uns 15 estudantes (nossa, como aquela sala parecia gigante no meu primeiro dia, hoje parece tão pequena rsrsrs), cerca de um terço eram Brasileiros (contando comigo), outro terço hispânico sul-americano (provável que todos da Colômbia) e o terço restante mistura as demais nacionalidades do mundo (majoritariamente asiático, acho que tinha um europeu só, me recordo apenas uma garota da Polônia). Meu sonho de viver em um país estrangeiro totalmente desconhecido, em que eu não falaria/ouviria minha língua e teria inúmero amigos estrangeiros tinha desabado! (a boa notícia que pude ver mais para frente é que apesar da quantidade de brasileiros, eu fui infeliz de pegar um dia bem atípico na escola em que a proporção de brasileiros e sul-americanos estava anormalmente alta. De fato, mais para frente, cheguei até mesmo a assistir algumas poucas aulas sem nenhum estudantes brasileiro, apesar de isso ser bem raro!)
Na hora do intervalo todo mundo se separou e eu fiquei meio-perdido pela escola! Bom, pensei que era hora de tirar algumas dúvidas que eu tinha e já ir aproveitando para ir me entrosando com algumas pessoas. Bom, de fato o maior problema que eu tinha é que desde que eu cheguei é que eu não podia recarregar meu celular porque as tomadas na Austrália são diferentes, logo teria que comprar um adaptador para colocar meu carregador na tomada! Quando entrei no banheiro encontrei um colega de turma lavando a mão e que se eu não estava enganado era do Brasil também (perfeito, porque como ele passou pelo mesmo problema que eu, certeza que poderia me ajudar). Educadamente, perguntei: "Hey, brother. How are you? Are you from Brazil?". E recebi outro soco no peito: "Sim!". Nossa, foi um dos sim's mais frios e ríspido que recebi na minha vida rsrsrs... tava ali, todo empolgadão, primeiro dia na escola, pensando que como todo mundo tava ali para aprender inglês, todo mundo ia falar só inglês um com os outros! Como pude ser tão inocente hurhuahsuahus... depois do ríspido "sim" entendi a senha, comecei a tirar minha dúvida em português com o cidadão! Mas, meu irmão que decepção quando esse cidadão começa a falar português, Deus do céu! O cara falou com tantas gírias pelo meio e expressões em inglês misturada (ele já tava a cerca de um ano aqui na Austrália) que para mim nem português ele falava direito! uahusahu... Ok, peguei a informação, saí correndo dali e prometi comigo mesmo que nunca mais falaria com aquele maluco uahushaushu (besteira, de fato até ficamos "amigos", ou melhor "colegas" depois, apesar de até hoje eu nunca prolongar conversa com ele porque ele só fala comigo em português)
Voltando para a aula não entendi nada, porque boa parte do alunos tinha mudado (de fato fui entender melhor depois, as duas primeiras aulas são aulas comuns e a última é de gramática, na aula de gramática alguns alunos se mantem na turma, meu caso, e outros mudam, caso a gramática do aluno esteja um nível diferente da turma). Encontrei uma garota asiática bem simpática e ela me apresentou como sendo tailandesa, na mesma hora lembrei do blog do meu irmão mais velho que viajou para lá e comecei a falar um bando de coisa sobre a Tailândia (o blog do meu irmão sempre me ajuda nessas horas hahaha), pensei que ia impressionar ela com todos os conhecimentos apresentados hahahah... mas de fato percebi que não era nada demais, já que a Tailândia é um destino muito visado e várias pessoas viajam para lá e sabem várias coisas sobre o país também (ao contrário de um Camboja), especialmente pelo país ficar perto da Austrália (de fato, Perth é uma cidade tão estranha que viajar para Bangkok, a capital da Tailândia, é quase a mesma distância do que viajar para Sydney). Ok, dei uma disfarçada e perguntei onde era possível ver cangurus! (pergunta que ficou clássica para mim porque eu sempre perguntava para todo mundo que eu tinha acabado de conhecer, aprendi a utilizar ela meio que como uma forma oficial de "quebrar o gelo" hahahaha)
Fim de aula, nada especial! Fui comer meu lanche no Subway e infelizmente não consegui encontrar nenhum estudante para ir comigo (apesar de achar o Subway muito saudável e barato, fui ver depois que isso era besteira, melhor mesmo é trazer o almoço de casa como quase todo mundo faz, por no freezer, esquentar e comer lá mesmo na escola), no Subway não me lembro bem quem me atendeu no meu primeiro dia, mas apesar de patinar para entender o que o cidadão falava (especialmente pela sotaque/pronúncia australiana, só depois de algumas semanas comecei a "pegar" melhor) me lembro que fui bem atendido no meu primeiro dia! Ao contrário de outros dias que era quando uma "japinha" atendia, "ô mulher sem paciência, meu amigo", me lembro que toda vez que eu ia no Subway ficava torcendo para não ser ela kkkkk...
Voltando do Subway me lembro de uma coisa que me marcou até hoje, um ativista me abordou e tentou me convencer a virar um doador financeiro regular para a Ong que ajudava pessoas cegas. (de fato nem lembro se isso foi no primeiro ou segundo dia). Óbvio que não ia virar contribuinte de droga nenhuma, mas comecei a enrolar o cara e dá corda só para não perder a chance de praticar inglês com ele... papo vai, papo vem, o cara pergunta de onde eu sou, eu respondo que sou do Brasil e não é que o filho de uma égua começa a falar português comigo???!!! (de fato um português bem "meia-boca", mas talvez melhor do que meu inglês no meu primeiro dia). O cara tinha família européia e já tinha morado um tempo em Portugal, logo tinha aprendido um pouco de português! Pronto, já tinha visto muito naquele dia (que coincidência algo assim ocorrer logo no primeiro dia), dei tchau pro cara e voltei para escola a tempo de pegar a aula opcional a tarde.
Uma coisa bem legal da escola que estou estudando é que depois de acabar as aulas pela manhã, eles oferecem aulas opcionais a tarde, todo os dias! Segunda é aula de vocabulário, Terça é conversação, toda Quarta tem um filme (em inglês com legenda em inglês), Quinta aula de pronúncia e Sexta sempre tem uma atividade de integração normalmente fora da escola (como ir no Zoológico ou algo do tipo).
Monday, 11 February 2013
Primeiro dia no País dos Cangurus!
Foram dias muitos legais meus primeiros dias no país do Cangurus e foi muita emoção pisar pela primeira vez na Austrália! (praticamente minha primeira viagem internacional, porque Argentina/Uruguai além de serem muito próximos, falam um idioma muito parecido!).
Bom, como dito no último post tudo ocorreu melhor do que o esperado (a exceção do arroz, maldito arroz!) e meu primo já me esperava no aeroporto! Nada como ter um parente muito bacana para ajudar logo depois de mais de 30 horas de voos, porém o único ponto negativo nesta parte é que desde que eu cheguei eu estava muito ansioso para falar inglês e o fato de eu encontrar meu primo muito rápido (brasileiro como eu) me tirou praticamente qualquer oportunidade de falar inglês logo quando eu cheguei! hahaha... a primeira coisa que me chamou atenção no país do cangurus (além do moicano que o meu primo usava auhauahu) é que aqui os carros tem volante ao contrário, igual na Inglaterra e vários países colonizados pelos ingleses (a exceção dos EUA!). O primeiro susto que levei aqui foi abrir a porta do carro como eu faria no Brasil e ver que eu estava no lado do volante e não do passageiro hahahah...
Foto do meu primo Frederico em uma praia aqui de Perth:
Já estava muito tarde e era noite de domingo, fomos direto para a casa, apenas jantar e dormir. Já que ambos tínhamos que acordar cedo no dia seguinte (meu primo para trabalhar e eu para ir para escola). Uma coisa que chamou atenção logo quando entrei na casa foi um lugar do lado externo para colocar os sapatos/chinelos e ficar descalço, algo que nunca tinha visto no Brasil mas é comum aqui na Austrália, e em outros países do mundo como Canadá (tenho um amigo que foi para lá) e Japão. Outra coisa interessante é que o meu primo era vegetariano (os dias que passei na casa dele, ele até me convenceu que a dieta vegetariana pode ser bem mais natural e saudável, mas não abro mão do meu churrasco uahsuahus), e tivemos pro jantar uma deliciosa comida indiana feita com lentilhas (e bastante pimenta, nunca vi alguém para gostar tanto de pimenta hahahaha).
Ok, depois de jantar e tentar dá uma arrumada na minha mala, hora de ligar pro pessoal no Brasil! Nessa hora que descubro que para minha infelicidade meu primo não tinha conexão de internet sem fio na casa dele, logo não tinha como conectar meu notebook e usar o Voip (utilizo o JustVoip para ligação interurbana e internacional, recomendo muito!) para ligar para o Brasil! Liguei do celular do meu primo e consegui falar com a minha mãe, o meu pai só pude contactar em celular e ligação para telefone "não-fixo" tava muito ruim e infelizmente não consegui falar com ele direito!
Próximo da hora de dormir ainda não tinha tido nenhuma oportunidade de falar inglês, inventei uma desculpa pro meu primo de que eu precisava ir no supermercado só para ter uma chance de conversar em língua estrangeira, mas infelizmente já estava tudo fechado (domingo a noite) e também muito tarde para ele me mostrar onde é que fica. O máximo que consegui antes de dormir foi ouvir vizinhos discutindo, foi algo marcante, primeira vez que eu ouço diálogos em inglês em um país estrangeiro, nada mal ahahahah
Bom, como dito no último post tudo ocorreu melhor do que o esperado (a exceção do arroz, maldito arroz!) e meu primo já me esperava no aeroporto! Nada como ter um parente muito bacana para ajudar logo depois de mais de 30 horas de voos, porém o único ponto negativo nesta parte é que desde que eu cheguei eu estava muito ansioso para falar inglês e o fato de eu encontrar meu primo muito rápido (brasileiro como eu) me tirou praticamente qualquer oportunidade de falar inglês logo quando eu cheguei! hahaha... a primeira coisa que me chamou atenção no país do cangurus (além do moicano que o meu primo usava auhauahu) é que aqui os carros tem volante ao contrário, igual na Inglaterra e vários países colonizados pelos ingleses (a exceção dos EUA!). O primeiro susto que levei aqui foi abrir a porta do carro como eu faria no Brasil e ver que eu estava no lado do volante e não do passageiro hahahah...
Foto do meu primo Frederico em uma praia aqui de Perth:
Já estava muito tarde e era noite de domingo, fomos direto para a casa, apenas jantar e dormir. Já que ambos tínhamos que acordar cedo no dia seguinte (meu primo para trabalhar e eu para ir para escola). Uma coisa que chamou atenção logo quando entrei na casa foi um lugar do lado externo para colocar os sapatos/chinelos e ficar descalço, algo que nunca tinha visto no Brasil mas é comum aqui na Austrália, e em outros países do mundo como Canadá (tenho um amigo que foi para lá) e Japão. Outra coisa interessante é que o meu primo era vegetariano (os dias que passei na casa dele, ele até me convenceu que a dieta vegetariana pode ser bem mais natural e saudável, mas não abro mão do meu churrasco uahsuahus), e tivemos pro jantar uma deliciosa comida indiana feita com lentilhas (e bastante pimenta, nunca vi alguém para gostar tanto de pimenta hahahaha).
Ok, depois de jantar e tentar dá uma arrumada na minha mala, hora de ligar pro pessoal no Brasil! Nessa hora que descubro que para minha infelicidade meu primo não tinha conexão de internet sem fio na casa dele, logo não tinha como conectar meu notebook e usar o Voip (utilizo o JustVoip para ligação interurbana e internacional, recomendo muito!) para ligar para o Brasil! Liguei do celular do meu primo e consegui falar com a minha mãe, o meu pai só pude contactar em celular e ligação para telefone "não-fixo" tava muito ruim e infelizmente não consegui falar com ele direito!
Próximo da hora de dormir ainda não tinha tido nenhuma oportunidade de falar inglês, inventei uma desculpa pro meu primo de que eu precisava ir no supermercado só para ter uma chance de conversar em língua estrangeira, mas infelizmente já estava tudo fechado (domingo a noite) e também muito tarde para ele me mostrar onde é que fica. O máximo que consegui antes de dormir foi ouvir vizinhos discutindo, foi algo marcante, primeira vez que eu ouço diálogos em inglês em um país estrangeiro, nada mal ahahahah
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